Coisas que me lembram você

março 8th, 2010

Uma ponta de dúvida,

uma ponta de lápis,

uma queda, um vôo,

uns pássaros a mais,

um filme que não desce

tão suave quanto o suco

de graviola que seu pai faz.

Ou será que entendi errado?

Uma saudade de ter

o que ainda não tenho,

nem posso te dar.

Uma pressa sem rumo,

um rumo sem pressa,

uma preguiça na rede,

um sol que estremece

as sombras que tínhamos

nos eus que nós éramos

quando “nós” não era nada.

Um sorriso, um sussurro,

um toque, uma certeza.

A certeza de que há

clareza nesses olhos que uso

para enxergar quem sou

bem dentro dos seus.

Uma conversa na noite

março 8th, 2010

Deus é o narrador. Única informação necessária.

Andava acabrunhado e nada parecia poder me divertir. Se antes viagens e jogos bastavam, agora nem mesmo serviam para me tirar do estado nauseabundo de marasmo e inquietude de corpo (que de modo algum significava inquietude de alma) em que vivia.

Por um longo tempo deixei-me ficar quieto e imóvel entre anéis de gelo que rodeavam planetas distantes dos pedaços conhecidos do Universo, aqueles próximos de onde há vida. Se fosse possível falar disso, diria que a idade havia se abatido sobre mim, me derrubado e largado esquecido onde não saberiam nunca que eu estava. Me cansara de tudo o que há e, por isso mesmo, evitava outras formas e espíritos, que só carregam consigo mais cansaço, embora  neles ele sempre estivesse contido e concentrado em partes bastantes específicas de seus corpos: as pernas e braços, em quem tem carne, e no mais exterior dos espíritos, em quem não a tem.

Cheguei à conclusão de que a época em que tudo seria um fardo insuportável de se carregar havia chegado, ao menos para mim, mesmo não conseguindo explicar como ela poderia me atingir. Mas o fato que quero narrar não é o da minha imobilidade, mas o do meu retorno para perto de onde pulsa a existência e acontecem os ocorridos. Pois, estando o planeta em cujos anéis eu descasava alinhando-se com a Terra mortal, me sobreveio a vontade de voltar os olhos a ela, e assim fiz. Eles pousaram sobre um povoado, onde já era noite.

Read the rest of this entry »

Just disarming

fevereiro 28th, 2010

Eu poderia fazer direito as coisas, quero dizer, tratar de tudo como se espera que seja tratado (normalmente, como os outros homens fazem), mas não é assim que ajo. De maneiras diferentes… A gente prossegue melhor quando somos nós mesmos, quando mostramos o que não esperam que mostremos. Surpresas.

Ela foi uma mudança de humor, daquelas bem repentinas, chegada em uma tarde de verão com cara de primavera, ou o contrário. Tudo o que mudou foi o que ela trouxe consigo. Ela me acompanhava, ela me sorria, eu sorria, nós sorríamos, ela para mim, eu para ela. Infinito. O ócio não era para nós, não 24 horas vezes sete dias por semana, caso contrário viveríamos para sempre no escuro de um não-acontecimento (também) infinito. Pelo contrário, havia a ação: chovia constantemente em nossa vida à dois, o que molhava não só nossos corpos e o tempo que passávamos juntos, como também nossos abraços, saias (as dela; não as uso), meias coloridas (essas são minhas também) e o resto. Mas não era tempestade, nem tampouco garoa. O que não consigo entender é a associação que fazem entre chuva, melancolia — também desespero — e catástrofe. Isso não existe, exceto se você não souber direito como se molhar.

Na primavera-verão chuvosa nós continuamente nos recostávamos contra lareiras para nos secarmos, esperando que o calor também desanuviasse os dias molhados, frios, nublados, que antes havia (e agora finalmente sumiam de) dentro de nós. Nesse ínterim de aquecer-se-e-molhar-se encontrávamos tempo para contar segredos um ao outro, que soavam como música para nossos interiores cambiantemente desconfiados. Nem mesmo um espelho permitiria que nos víssemos tão por inteiro como éramos capazes de nos enxergar um no outro. E assim era porque não havia nada entre nós que não fosse mútuo, nem mesmo aquilo que não partilhávamos. É que os segredos que evitávamos contar são, constitucionalmente, o que nos faz querer saber mais do outro.

Constitucionalmente e esteticamente, é claro. Há um certo charme nos mistérios, apesar de eles serem como programas de índio em que nos metemos sem querer, dos quais não conseguimos sair e sem os quais, bem, não saberíamos viver. O programa pode ser ruim, mas ainda assim existe. Como pão de queijo recheado com tomate seco caseiro. Quer coisa pior no mundo? Mas, por mais ruim que eu ache isso ser, seria ainda pior se eu não pudesse achar. As coisas ganham contornos de coisas porque têm liberdade para tê-los. García Márquez uma vez me disse diretamente (por intermédio de um livro) que: “A vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”. Ele estava certo.

E sobreviver é, irrevogavelmente, dentre outras coisas sentar-se numa praça e deixar-se abater por pequenos prazeres, mas pequenos mesmo, aqueles que nos sobrevêm sem motivo algum, inflando nossos corpos e nos fazendo sentir bem. Chá gelado. Café. Lápis de cor. São os meus, quais os seus? Os dela eram viagens, colheitas lunares (levaria muito tempo para explicar o que é), brechós, dormir em redes (comigo, de quando em vez), e mais. Tudo isso aquece mais que lareiras, e nos faz sentir melhor do que realmente somos, embora essa medida de quem somos seja algo surrealmente inexato e empiricamente mentiroso. É só pensar em canecas se quebrando que dá para ter idéia do que estou falando: os cacos que restam no chão, apesar de serem todos a caneca, não têm mais importância alguma para nós. Ser é se manter, mais do que realmente estar.

Apesar de meu humor ter melhorado por causa dela, ainda guardo em mim resquícios de dias passados, ecos dos Smashing Pumpkins e sua Where boys fear to tread tocando, rompendo meus sonhos, como só boa literatura (isso inclui você, Saramago), más mulheres e rinites alérgicas conseguem fazer. Passado, eu sei, que não revisito, mas que é um quesito constante na minha vida. Sempre me questionam: quem você era? A resposta mais certa seria algo como “0.5mm de papel rabiscado com minha própria letra, e própria tinta”, afinal, é de palavras que sempre me fiz. Mas a resposta que esperam de mim é a que tenha o efeito incômodo de 0.66mm perfurando o nostril (ou de uma boa dose de Differin, quando necessário), de uma carta de amor apaziguante ou a de uma pizza de pepperoni servida em um canto qualquer da cidade (recomendo muito fortemente qualquer pizzaria na região da Savassi, onde Belo Horizonte respira). Não sei ser assim, mas vive em mim a vontade de tentar.

Na falta desse efeito-pepperoni, me torno algo entre bom sorvete e sessão ruim de cinema: insuficientemente completo, sem ser completamente insuficiente, sem me tornar o que ela espera (talvez não mais) que eu fatidicamente me torne. Minha constância é de se admirar. Chutes circulares não são capazes de me derrubar, nem mesmo qualquer som que venha de um Amarante ou Morrissey (já de Smashing, sempre sim). É que, depois de muito estudar e por vezes e vezes reprovar, aprendi quem sou, sei quem não sou e evito ser quem querem que eu seja. Nisso, me tornei verdadeiro. É o único caminho que conheço que leva da total anomia até a verdade sobre si mesmo. Tomá-lo foi mais difícil que aprender a dançar qualquer coisa (tango, samba, flamenco), e olhe que tenho sérios problemas com danças, mas foi também melhor, a mesma sensação que se tem quando se chega ao topo de um monte verde, esperando ver o pôr-do-sol, e já é noite. A Lua compensa a viagem.

Imaginariamente eu poderia dizer que o fato de eu ser um homem melhor foi apenas devido a ela, mas não foi. É todo um processo histórico, diria Marx. Ela apenas coroou o momento, chegou em uma época muito estranha da minha vida e consertou as coisas. Trouxe consigo seu cheiro (que tem número, 212, e seu próprio acorde), mais músicas para mim, kickboxing (já me ameaçaram um dia; acho que cumprir a ameaça nunca irão precisar), mais masmorras e mais dragões. É disso que é feita a vida, a minha e a dela, ao menos, porque é disso que gostamos, é o que amamos em nós, e sempre queremos mais (amar, isso e nós). Se procurássemos bem fundo em nossas almas encontraríamos exatamente a mesma coisa: vontade de fazer o momento durar para sempre, tal qual fotos, para que não precisássemos sair dele jamais.

(É que os momentos em que estamos juntos fazem valer todos os outros.)

Em resumo, não acredito ser engano nem metáfora exagerada alguma dizer que a chuva que se abatia sobre nós não era feita de gotas, mas de papéis picados (ou origamis bem trabalhados); que os montes que subimos foram aterrados em pelúcia; que só vemos Lua no céu quando nossas lentes escapam dos olhos, e que o que há lá de verdade é um espaço vazio, sem estrelas, sem sóis, sem satélites: é amplitude, é possibilidade, é um canto onde podemos construir o que queremos. Quero no nosso céu um busto de Tolkien… ou melhor, de Guimarães Rosa, a flutuar — falante, de preferência, para que nos lembre sempre que “Esperar é reconhecer-se incompleto”. Para logo depois eu o completar-lhe a frase, dizendo: “Não, eu não espero mais”.

Se saudade for mesmo ser depois de ter, temo que acabei tendo, e depois sendo, e agora posso prosseguir em paz. Porque finalmente existo.

De resto, basta lustrar o corpo, estar de unhas feitas (nós dois), brincos colocados (um só),  estar de desjejum — morango com laranja, café californiano e coisas mais — tomado (ambos) e caneta e papel na mão (um de nós), para que possamos prosseguir nossa viagem juntos. No caso de não estarmos no mesmo lugar todas as vezes, sempre nos permearão as mensagens enviadas de lá pra cá, e cá pra lá; ou, na dúvida do que escrever, há ainda a chance de tomarmos uma condução sobre rodas (2104; agora sei onde é que se pega algo assim) que nos empurre um em direção ao outro. De um modo ou de outro sempre sabemos nos encontrar.

Sempre.

E assim vai terminando a primavera e entrando o verão, trazendo consigo dias laranjas, árvores desfolhadas, calor táctil, como se Deus (ou Richard Dawkins) ligasse uma versão macro-existencial de Corel X4 e brincasse de mudar o que é o mundo. Por favor, o que quer que faça, Deus, deixe intactos o orgulho de quem é esquisito (e as coisas das quais eles gostam), meu vizinho, Totoro, tudo o que vier da Alemanha (exceto coisas de 1928 à 1945; dê preferência aos pubs), livrarias e culturas, e a finlandesa-não-japonesa Nokia. Não sei exatamente por que, mas faça. Apenas faça.

Enquanto isso, daqui continuarei observando. Daqui continuarei crendo. Daqui continuo sendo (o que ela deve ter e eu sei ser, sendo dela).

• direitoufmgkickboxingrodrigo amarantesorveteimaginariumdifferinsamba212 sexy carolina herrerasms • sorrisoscompanhiacinemaóciogabriel garcía márquezpão de queijo recheado com tomate seco caseirochá geladocalifornia coffee chuvafotografiaconstitucional cartassavassi soulseek 2104livrariacultura.com.brtolkiennerd pridebelo horizontemary in hell rinite alérgica0.5mm no papel • 0.6mm no nostril dormir em redeunhas feitaslentes de contato incolord&d 3ªlápis de corviagens corel x4morrissey the smashing pumpkinsaccordes boticário brincosdias nubladossegredos programas de índioescuromúsicafrio • harvest moon • lareirameias coloridassaias morango com laranja • professor joão guimarães rosapraçascanecas cafêsbrechóslivroslivroslivros espelho papel picadoorigamiétoilesbichinhos de pelúciapepperoniestéticasaramagoabraços tonari no totoro • geek stuffchutes circularesmale bassplayers monte verdeestudar petit plaisirsdeutsch • nokiasonhos ACTION • (x) •

(Lista via justdisarming.blogspot.com)

Deliqüescência

fevereiro 22nd, 2010

O quarto roda, roda e roda. Tudo parece estar quite com sua natureza ciclônica. Tudo é inértil e insolúvel e, ao mesmo tempo, um só movimento em massa que regurgita formas disformes quarto afora e embaralha a visão de quem só está acostumado a enxergar a consistente solidez do cotidiano: os poucos prazeres que nos são permitidos, dispostos em pilastras alternadas, e as muralhas de secessão que nos separam de nós mesmos e de todo o resto.

É inexorável a vida que vivemos, e também eterna e inconstante, e um outro conjunto de antíteses estúpidas que dão um ar de intelectualidade (falsa) a tudo aquilo que é intelectual, porém hipócrita. Porque a vida e todos os homens são hipócritas, e desse modo tudo segue sendo de uma hipocrisia tão grande que chega a torpear os sentidos e nos fazer cair em delírios cada vez maiores (e abissais) dos quais não saímos, pois não há quem nos tire deles.

As horas passam e tudo continua girando indefinidamente, e com isso vamos vendo agir a solidez à qual fomos acostumados, solidez essa que lembra muito “soledad”, palavra que os espanhóis encontraram para expressar solidão. Pois é nessa solidão que o mundo gira e rotaciona centenas de graus todos os anos — é na solidão de cada homem que ambiciona um “mais” que não conhece e exclui todos os outros em sua função, para que seja ele o único comandante de tudo o que não sabe comandar.

A solidez, que era mórbida, se torna esse movimento frenético, uma mistura de valores confusos que são continuamente substituídos por outros ainda mais complexos e incoerentes, que fazem com que o mundo se transforme num fingido bem estar para todos, alicerçado nas charlatanices de homens sós, que só pensam em si mesmos. Seus desejos de mudar a vigência de todas as coisas a seu favor esfarela todos os outros homens e suas idéias, e assim surge o aglomerado de crenças frívolas e em mudança constante que passam a compor o cotidiano.

Protegido: A conquista de Creta

fevereiro 19th, 2010

Este post está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo:


Ain’t no mountain high enough

fevereiro 18th, 2010

Apenas queria um minuto de perfeição que pudesse memorizar, do qual lembraria a vida inteira. Antes pedia ainda mais minutos, horas múltiplas, dias consecutivos de um estado de realidade em que desejava viver eternamente. Não mais. Ao exigir demais da vida percebe-se que ela não está pronta para satisfazer ninguém que não seja ela mesma; aí debanda-se da batalha e esquece-se do que realmente se quer. Porque é assim que tudo fica mais fácil e a perfeição do minuto é  de uma vez alcançada: quando se compreende que ela não pode ser contida, nem jamais poderá ser mensurada.  Porque não existe.

De nier ce qui est, et d’expliquer ce qui n’est pas

fevereiro 11th, 2010

Sim, é rimado. Não, eu não gosto de rimas. Sim, é rimado.

Uma parte de mim rasga o meu eu inteiro, uma parte de mim devora, sem receio, aquilo que sou e cospe os pedaços para que eu os junte e me refaça. Sim, há um monstro crescendo dentro de mim, mas há também um vácuo absoluto e um infinito maior que tudo aquilo que não tem fim. E eu sou assim, eu sou assim.

Não há poesia, canto ou dança que mude quem sei que sou, nem tanto tempo disponível no mundo para que eu saiba  se as escolhas que fiz são apenas outro tormento, ou outro alento, por não conseguir enxergar para onde vou. Mas não me importo. Hoje perdi todas as coisas que os homens consideram importantes, mas nenhuma delas é assim tão faltante, nem provoca desespero por eu não saber seu paradeiro. Eu apenas confio no instante, apenas me movo sem rompante. E eu sou assim, eu sou assim.

Uma parte de mim é feita de dúvida, a outra de absoluta certeza. Uma parte é escuro, a outra é clareza. E não há nada em mim que difira dos outros, não há roupa, modo ou idéia só minha, nada que antes não tinha, nada quem um dia vou ter. Quando olho para dentro de mim é apenas um fio de vontade o que encontro. E eu sou assim, eu sou assim.

Escada lateral

fevereiro 10th, 2010

Na noite fria em que a escuridão tomou

o nó da terceira rua do bar eu vi,

sem que pudesse jamais esquecer,

o vulto que se ergueu do nada, de

entre os muros, de entre as outras ruas,

subir as escadas do último hotel (da rua),

onde, a esperar, a suspeitar de tudo,

eu aguardava com armas em punho, pólvora

mascada a arenar meus bolsos e fumo e

cigarros e cachimbos espalhados pelo corpo.

Eu tragava, eu desaparecia em fumaça, eu

não era nada que se pudesse ver e, entretanto,

somente eu, naquele quarto, poderia fazer algo

que interrompesse o vulto, que com ele acabasse,

algo como o que não fiz. Porque os que esperam na noite

pelas formas que nela se arrastam,

pelas sombras que as formam,

pela escuridão que desprega os dias dos céus,

são aqueles que vivem no oscuro,

no crepúsculo da sanidade,

encimados no pináculo do medo,

sussurrando, sem saber que ninguém os escuta,

que há um vulto lá fora a entrar no quarto do hotel

e que quer matá-lo, ou tentar, somente.

Esse era eu, o que aguardava. E aquele era ele,

o que vinha até mim para me consumir a vida.

E então foi que percebi, como nunca havia

percebido antes, que nada do que eu dizia,

ou pensava, ou acreditava,

era de todo uma verdade.

Eu só estava bêbado. E só.

E, sabendo disso,

guardei as armas que carregava,

apaguei os fumos, limpei os cachimbos

e tombei na cama fedida do hotel, sem esperar

que alguém viesse tirar satisfações dos crimes

que um dia havia cometido.

Porque o que os bêbados não temem

os sãos não farão em vão.

Um traço de claridade

fevereiro 8th, 2010

“Alguém já machucou você?”, ele me perguntou. Eu disse: “Estranho… tenho que te contar uma história”.

Então estávamos, de súbito, de volta à março de 1983, quando eu era jovem, bem jovem. Era início de primavera e todo o Universo estava laranja como tangerina. As ruas brotavam de entre pétalas de flores, e o ar da cidade carregava o cheiro que tem o ar de março, que é igual ao cheiro do ar de setembro. O ar não tem cheiro, não sei de onde surgiu essa bobagem.

Eu era pessimista, como todo adulto deve ser, mas também intransigente, como os adolescentes são. Dali a alguns meses faria 21 anos, completando o rito de passagem que me levaria rumo ao mundo sênior dos colarinhos brancos, ações na bolsa e esposas traídas. E baseball com os filhos nos domingos à tarde. Eu estava inegável e irrevogavelmente crescendo, e nisso residia um grande problema; porque Peter Pan não precisou crescer, mas eu sim, e isso eu não podia perdoar: terem vendido ao menino que eu era aos 8 ou 9 anos o sonho de viver em uma ilha distante, voando pelos céus e combatendo piratas, sonho esse que nunca se realizou. Por que Peter Pan pôde, e eu não?

Read the rest of this entry »

Sem saber

fevereiro 3rd, 2010

Tão confusos andamos, sem saber quem somos;
no campo da mente caminhamos,
achando encontrar a rua nos sonhos,
sonhando ter caminho a achar, enquanto,
e de tal forma sem sabermos como,
nos pomos (e somos) aquilo que
queremos crer não ser. E só.
Nenhuma esperança existe para
quem espera vê-la esperando
à beira da grama do rio da mente,
enquanto, descrente, aguarda,
sem saber que em si guarda
toda a certeza latente, tudo
o que só existe no momento iminente
de uma verdade (ou apenas crença)
que se compartilha com mais de um ouvido
e mais de uma mão, sem que nem se toquem,
sem que se levantem no espaço
para riscar o ar e arriscar falar:
que a confusão de andarmos sem sabermos ser
é só uma contusão na alma, quando ela não sabe
amar.

Texto de 28/11/09. Essa foi a primeira poesia que escrevi em muito tempo; a primeira que fiz depois que conheci a Clara. À época eu havia me dado conta de que estava começando a amar de novo, o que fez com que eu abandonasse boa parte das confusões e dúvidas que sempre haviam me acompanhado. Não há mais contusões em mim. True story.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes